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Nódulo na tireoide: quando se preocupar e como investigar?

  • Foto do escritor: Ramon Silva
    Ramon Silva
  • há 5 horas
  • 6 min de leitura
Ilustração anatômica da tireoide com um nódulo destacado, ao lado de aparelho e imagem de ultrassonografia, representando a investigação de nódulos tireoidianos na Clínica Dr. Manoel Fernandes.

Descobrir um nódulo na tireoide pode causar ansiedade, principalmente porque muitas pessoas associam esse achado imediatamente ao câncer. No entanto, essa associação nem sempre é correta.

A maioria dos nódulos tireoidianos é benigna, não causa sintomas e pode ser acompanhada com segurança. O objetivo da investigação não é tratar todos os nódulos, mas identificar quais apresentam características que merecem avaliação mais detalhada. As diretrizes atuais recomendam uma abordagem individualizada, baseada principalmente no aspecto do nódulo ao ultrassom, no tamanho e nos fatores de risco de cada paciente.

O que é um nódulo na tireoide?

A tireoide é uma glândula localizada na parte anterior do pescoço. Ela produz hormônios que participam da regulação do metabolismo, da temperatura corporal, da frequência cardíaca e de outras funções do organismo.

Um nódulo tireoidiano é uma alteração localizada dentro da glândula. Ele pode ser:

  • sólido;

  • preenchido por líquido, chamado de cístico;

  • misto, quando apresenta partes sólidas e líquidas.

Muitos nódulos são pequenos e não podem ser percebidos ao toque. Por isso, frequentemente são descobertos por acaso durante um ultrassom da região cervical ou em exames realizados por outro motivo.

Nódulos na tireoide são comuns?

Sim. Os nódulos tireoidianos são achados frequentes, especialmente em mulheres e com o avanço da idade.

O uso cada vez maior de exames de imagem também aumentou a identificação de pequenos nódulos que anteriormente passariam despercebidos. Isso não significa necessariamente aumento de doença grave, mas sim maior capacidade de detectar alterações assintomáticas. As diretrizes europeias destacam que grande parte dessas lesões é benigna, assintomática e não necessita de tratamento.

Todo nódulo na tireoide é câncer?

Não. Encontrar um nódulo não significa receber um diagnóstico de câncer.

A maior parte dos nódulos é benigna. Mesmo entre os nódulos malignos, muitos tumores da tireoide apresentam crescimento lento e comportamento pouco agressivo.

Por esse motivo, nem todo nódulo precisa ser puncionado, operado ou acompanhado com exames muito frequentes. O mais importante é estimar o risco de cada lesão de forma adequada.

Qual é o papel do ultrassom da tireoide?

A ultrassonografia é o principal exame de imagem para avaliar um nódulo tireoidiano.

Durante o exame, o médico analisa características como:

  • tamanho;

  • composição sólida, cística ou mista;

  • ecogenicidade;

  • formato;

  • margens;

  • presença de focos ecogênicos ou calcificações;

  • relação com as estruturas próximas;

  • aspecto dos linfonodos do pescoço.

Essas informações ajudam a estimar a probabilidade de malignidade e a decidir se o nódulo deve ser apenas acompanhado ou submetido a investigação complementar.

O ultrassom não confirma sozinho se um nódulo é benigno ou maligno, mas exerce papel central na estratificação de risco.

O que significa TI-RADS?

TI-RADS é a sigla para Thyroid Imaging Reporting and Data System, um sistema utilizado para padronizar a descrição dos nódulos da tireoide no ultrassom.

No sistema do American College of Radiology, são avaliadas cinco categorias de características:

  • composição;

  • ecogenicidade;

  • formato;

  • margens;

  • focos ecogênicos.

A soma desses achados classifica o nódulo em uma categoria de risco. A recomendação de acompanhamento ou punção considera tanto essa classificação quanto o tamanho da lesão. O objetivo é tornar os laudos mais consistentes e reduzir biópsias desnecessárias.

Existem diferentes sistemas de classificação, como o ACR TI-RADS e o EU-TIRADS. Por isso, o número apresentado no laudo deve ser interpretado de acordo com o sistema utilizado.

Quais características podem aumentar a suspeita?

Alguns achados ultrassonográficos merecem maior atenção, como:

  • nódulo muito hipoecoico;

  • margens irregulares;

  • formato mais alto do que largo;

  • microcalcificações ou determinados focos ecogênicos;

  • sinais de extensão além da tireoide;

  • linfonodos cervicais suspeitos.

A presença de uma dessas características não confirma câncer. O risco é estimado pelo conjunto dos achados, e não por uma característica isolada.

Quando a punção da tireoide pode ser indicada?

A punção aspirativa por agulha fina, conhecida como PAAF, não é necessária para todos os nódulos.

Sua indicação depende principalmente de:

  • categoria de risco no ultrassom;

  • tamanho do nódulo;

  • presença de linfonodos suspeitos;

  • fatores clínicos de risco;

  • histórico de exposição à radiação;

  • histórico familiar;

  • crescimento significativo;

  • sintomas compressivos.

Assim, dois nódulos do mesmo tamanho podem receber recomendações diferentes se tiverem aspectos ultrassonográficos distintos.

As diretrizes atuais favorecem uma abordagem baseada no risco, evitando punções em lesões pequenas e de baixa suspeição quando o procedimento provavelmente não traria benefício.

Como é feita a punção?

A PAAF é realizada com auxílio do ultrassom, que permite localizar o nódulo e orientar a agulha com precisão.

Durante o procedimento:

  1. o paciente permanece deitado com o pescoço levemente estendido;

  2. a pele é higienizada;

  3. uma agulha fina é introduzida no nódulo;

  4. pequenas amostras de células são coletadas;

  5. o material é enviado para análise citológica.

O procedimento costuma ser rápido e geralmente provoca apenas desconforto leve. Após a punção, pode ocorrer sensibilidade local ou um pequeno hematoma.

O resultado deve ser interpretado em conjunto com o ultrassom e a avaliação clínica.

Todo nódulo precisa de cirurgia?

Não. A presença de um nódulo, por si só, não é indicação de cirurgia.

O tratamento cirúrgico pode ser considerado quando houver:

  • confirmação ou suspeita relevante de malignidade;

  • sintomas de compressão;

  • dificuldade para engolir ou respirar;

  • crescimento significativo;

  • produção excessiva de hormônios em situações específicas;

  • desconforto estético importante;

  • decisão compartilhada entre paciente e equipe médica.

Nódulos benignos e assintomáticos frequentemente podem ser apenas acompanhados. Em casos selecionados, também existem tratamentos minimamente invasivos, mas a indicação depende das características da lesão e da disponibilidade do método.

Como é feito o acompanhamento?

A frequência dos ultrassons não é igual para todos os pacientes.

O intervalo depende de:

  • categoria de risco;

  • tamanho;

  • resultado da punção, quando realizada;

  • estabilidade do nódulo;

  • sintomas;

  • histórico clínico.

Durante o acompanhamento, o médico observa se ocorreu mudança relevante no tamanho ou no aspecto do nódulo.

Um pequeno aumento isolado nem sempre representa câncer. As diretrizes consideram crescimento significativo, entre outros critérios, um aumento de pelo menos 20% em duas dimensões, com acréscimo mínimo de 2 mm, ou aumento de volume superior a 50%.

Quais exames podem fazer parte da avaliação?

Além do ultrassom, o médico pode solicitar exames laboratoriais, principalmente a dosagem do TSH, para avaliar o funcionamento da tireoide.

Dependendo do resultado e do contexto clínico, outros exames podem ser necessários, como:

  • T4 livre;

  • anticorpos tireoidianos;

  • cintilografia da tireoide;

  • punção aspirativa;

  • avaliação endocrinológica.

O exame de imagem mostra a estrutura da glândula, enquanto os exames laboratoriais avaliam sua função. Um nódulo pode existir mesmo quando os hormônios tireoidianos estão normais.

Quando procurar avaliação médica?

Procure orientação médica se perceber:

  • caroço ou aumento de volume no pescoço;

  • crescimento visível na região da tireoide;

  • rouquidão persistente;

  • dificuldade para engolir;

  • sensação de pressão no pescoço;

  • dificuldade para respirar;

  • aumento rápido de uma massa cervical;

  • histórico familiar de câncer de tireoide;

  • nódulo identificado em outro exame.

Rouquidão, dificuldade para engolir e aumento rápido não significam necessariamente câncer, mas precisam ser avaliados.


Perguntas frequentes

Nódulo na tireoide desaparece sozinho?

Alguns nódulos císticos podem diminuir de tamanho, mas muitos permanecem estáveis. A necessidade de acompanhamento depende de suas características.

Nódulo pequeno precisa de punção?

Nem sempre. O tamanho é apenas um dos critérios. Um nódulo pequeno e de baixo risco pode não precisar de punção, enquanto outro com características suspeitas pode exigir avaliação específica.

Nódulo na tireoide altera os hormônios?

Na maioria dos casos, não. Muitos pacientes apresentam nódulos com função tireoidiana normal.

O ultrassom consegue dizer se o nódulo é câncer?

O ultrassom estima o risco, mas não confirma sozinho o diagnóstico. Quando indicado, a punção fornece material para análise citológica.

Um nódulo benigno pode crescer?

Sim. Nódulos benignos podem aumentar de tamanho. O crescimento deve ser analisado junto com as demais características do ultrassom e o quadro clínico.

Todo nódulo precisa de acompanhamento para sempre?

Não necessariamente. Nódulos estáveis e de baixo risco podem ter o intervalo entre os exames ampliado e, em alguns casos, o acompanhamento pode ser encerrado conforme orientação médica.


Avaliação adequada evita preocupação e procedimentos desnecessários

A descoberta de um nódulo na tireoide não deve ser motivo imediato de alarme. A maioria dessas alterações é benigna, e muitos pacientes precisam apenas de acompanhamento.

A ultrassonografia permite analisar o nódulo, estimar seu risco e orientar de forma mais segura a necessidade de punção ou controle periódico.


Na Clínica Dr. Manoel Fernandes, em Laguna, realizamos ultrassonografia da tireoide e punção tireoidiana para auxiliar na avaliação de nódulos e de outras alterações da glândula, conforme indicação médica.


Referências científicas

  • Durante C, Hegedüs L, Czarniecka A, et al. 2023 European Thyroid Association Clinical Practice Guidelines for thyroid nodule management. European Thyroid Journal. 2023.

  • American College of Radiology. Thyroid Imaging Reporting and Data System — ACR TI-RADS. 

  • Tessler FN, Middleton WD, Grant EG, et al. ACR Thyroid Imaging, Reporting and Data System (TI-RADS): White Paper of the ACR TI-RADS Committee. Journal of the American College of Radiology. 2017.

 
 
 

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